Na cadeia do pós-colheita, a secagem é a operação com maior impacto sobre o produto, sendo determinante para a conservação, qualidade nutricional e rentabilidade. Em meu novo artigo técnico para a Revista Técnica da Agroindústria, em parceria com Karine Silva Amorim e equipe, analisamos duas alternativas de alto desempenho para o agronegócio nacional: a secagem com biomassa e o método de secagem intermitente.
O Desafio Energético e Operacional da Soja
A secagem é responsável por uma fatia expressiva que varia de 27% a 70% do consumo total de energia no processamento industrial da soja. Grãos colhidos com umidade elevada (18% a 22%) precisam ser rapidamente reduzidos para a faixa de 12% a 13% em base úmida. Desvios nesse processo são críticos: o excesso de umidade residual favorece a proliferação de fungos, enquanto a secagem excessiva ou mal conduzida quebra os grãos e degrada frações proteicas e lipídicas essenciais para o mercado externo.
Soluções Sólidas: Biomassa e Intermitência
Para mitigar o desperdício energético e preservar a integridade física e química dos grãos, duas abordagens têm se destacado na prática agroindustrial:
- Uso de Biomassa (Fornalha a Cavacos): Sistemas de leito fixo alimentados por cavacos de eucalipto registram eficiência média de 75,61% e consumo específico competitivo, mostrando-se uma excelente opção de baixo custo operacional onde há resíduos florestais disponíveis.
- Secagem Intermitente: Consiste em alternar ciclos de exposição ao ar aquecido com períodos de repouso. Esse tempo de descanso permite que a umidade do núcleo migre para a superfície por difusão, reduzindo os gradientes térmicos e minimizando drasticamente o surgimento de fissuras estruturais e a termólise de nutrientes.
A Visão da Análise Exergética
Diferente da termodinâmica clássica, que apenas contabiliza as entradas e saídas de energia, a análise exergética é uma ferramenta diagnóstica superior, pois identifica exatamente em quais pontos do sistema ocorre a destruição de trabalho útil (como na combustão ou na exaustão). Isso permite intervenções precisas na planta sem a necessidade de substituição completa da infraestrutura existente.
🚀 Como sua planta gerencia o balanço energético no pós-colheita?
A padronização do combustível (como o uso de cavacos com umidade controlada abaixo de 25%) e a instrumentação com sensores de temperatura no leito são passos fundamentais para evitar variações de processo e mitigar o risco de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), garantindo a conformidade com as exigências de exportação.
Você já adota ciclos de intermitência ou fornalhas automatizadas na secagem de grãos na sua região? Quais as principais barreiras que você enfrenta? Vamos debater nos comentários!
Como citar este artigo (ABNT):
AMORIM, K. S.; CHAGAS, F. S.; BELISÁRIO, C. M.; SILVA, M. A. P. Tecnologias de secagem em grãos e seus impactos na qualidade dos alimentos. Revista Técnica da Agroindústria, Rio Verde, v. 3, n. 1, art. 059, p. 1-5, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.20358640. Acesso em: 30 mai. 2026.