Ozônio como Agente Sanitizante na Indústria de Alimentos



A pressão regulatória e a busca por processos ecologicamente sustentáveis estão forçando a agroindústria a encontrar substitutos para o tradicional hipoclorito de sódio. Em meu novo artigo técnico para a Revista Técnica da Agroindústria, em parceria com Karine Silva Amorim e equipe, analisamos o uso do ozônio ($O_3$) como uma alternativa de alto impacto para a sanitização industrial.

O Poder de Oxidação Superior

Com um potencial de oxidorredução de 2,07 V — que supera significativamente o do cloro (1,36 V) —, o ozônio se destaca como um agente microbicida de amplo espectro, apresentando diferenciais competitivos nítidos:

  • Zero Resíduos: O O3 se decompõe rapidamente em oxigênio molecular, eliminando preocupações com subprodutos tóxicos persistentes, como os trihalometanos gerados pelos compostos clorados.
  • Sustentabilidade Hídrica: A água tratada com ozônio mantém-se estável por mais tempo, permitindo sua reutilização por até 8 horas na linha de processo. Isso pode representar uma economia de até 60% no consumo hídrico da planta.
  • Ação Pós-Colheita: Aplicado na fase gasosa em câmaras de armazenamento, ele reduz a produção de etileno, retardando o amadurecimento de frutos como o tomate e estendendo a vida útil em até 10 dias.

Os Desafios da Janela Operacional

Apesar das vantagens, o sucesso da tecnologia depende de um controle rigoroso de processo. A meia-vida do ozônio em água é curta e sua decomposição é acelerada por pH alcalino. Além disso, em vegetais minimamente processados, a presença de sucos celulares ricos em matéria orgânica consome o gás rapidamente, exigindo uma dosagem até três vezes maior. Doses excessivas também geram riscos de injúria tecidual, como perda de turgidez e descoloração superficial.


🚀 Como sua planta enfrenta as restrições ao uso do cloro?

A substituição do cloro por tecnologias limpas é um caminho sem volta para indústrias focadas em mercados de exportação ou sob auditorias rígidas de sustentabilidade (como a ISO 14001). O investimento inicial do ozônio se paga pela drástica redução no consumo de água e tratamento de efluentes.

Você já avaliou a viabilidade de implantar geradores de ozônio na sua linha de lavagem? Vamos debater os desafios de custos nos comentários!


Como citar este artigo (ABNT):

AMORIM, K. S.; CHAGAS, F. S.; BELISÁRIO, C. M.; SILVA, M. A. P. Ozônio como agente sanitizante na indústria de alimentos: aplicação, vantagens e desvantagens. Revista Técnica da Agroindústria, Rio Verde, v. 3, n. 1, art. 060, p. 1-5, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.20433293. Acesso em: 30 mai. 2026.

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